As tempestades são mais intensas, as cheias mais frequentes e as ondas de granizo causam estragos que há uma década eram raros. Portugal não é exceção: nos últimos anos, hotéis e unidades turísticas viram telhados arrancados, caves alagadas e épocas altas comprometidas por eventos meteorológicos cada vez mais extremos. A pergunta deixou de ser "se" — passou a ser "quando".
E a pergunta seguinte, essa, é decisiva: o seguro do seu hotel cobre estes fenómenos? A resposta nem sempre é a esperada. Muitas apólices incluem "fenómenos da natureza" no papel, mas escondem nas condições exclusões, sublimites e franquias que reduzem drasticamente a proteção real. A Adler & Rochefort explica o que verificar antes da próxima época crítica.
O que são "fenómenos da natureza" numa apólice
Nas apólices multirriscos, a cobertura de fenómenos da natureza costuma agrupar um conjunto de eventos climáticos. É essencial perceber o que está — e o que não está — incluído:
- Tempestade e ventos fortes, normalmente a partir de uma velocidade mínima definida na apólice
- Granizo e neve, com danos em coberturas, claraboias, painéis e fachadas
- Inundação e cheias, frequentemente sujeitas a condições e franquias específicas
- Trovoada e queda de raio, com possível extensão aos danos elétricos
- Aluimentos de terras e deslizamentos provocados por chuvas intensas
As exclusões e armadilhas mais comuns
É aqui que muitos hotéis descobrem, tarde demais, que estavam menos cobertos do que pensavam. Os pontos críticos a verificar:
- Inundação excluída ou contratada com sublimite baixo, sobretudo em zonas de risco conhecido
- Franquias muito elevadas para eventos climáticos, que esvaziam a indemnização em sinistros médios
- Limiares de velocidade de vento que excluem tempestades reais mas "insuficientemente fortes"
- Danos por infiltração lenta ou má conservação excluídos, ainda que despoletados por chuva intensa
- Bens no exterior — esplanadas, toldos, mobiliário de jardim, painéis solares — fora da cobertura
- Caves, pisos técnicos e equipamento aí instalado com proteção limitada contra entrada de água
Não esquecer a perda de exploração
O prejuízo de um evento climático extremo raramente se esgota nos danos físicos. Um hotel com a cave inundada ou o telhado destruído pode ter de encerrar parcialmente — ou na totalidade — durante semanas ou meses. A cobertura de perda de exploração compensa a receita perdida e mantém os custos fixos durante a recuperação.
O timing é crucial: um temporal em pleno verão, com o hotel cheio, tem um impacto financeiro muito superior ao de um sinistro na época baixa. A apólice deve ter um período de indemnização suficiente e refletir a sazonalidade real do negócio.
Como garantir que o seu hotel está realmente protegido
Antes da próxima época de tempestades, recomendamos rever os seguintes pontos com o seu corretor:
- Confirmar que inundação e cheias estão expressamente incluídas, com capital adequado ao risco da localização
- Rever os sublimites e franquias aplicáveis a fenómenos da natureza
- Incluir bens no exterior, painéis solares e equipamento técnico na cobertura
- Verificar a cobertura de perda de exploração e o respetivo período de indemnização
- Atualizar o capital de edifício e recheio ao valor real de reconstrução
- Avaliar o risco específico da zona (proximidade de rios, cota baixa, exposição a vento) e ajustar a apólice
Na Adler & Rochefort analisamos a exposição climática concreta do seu hotel, lemos as exclusões linha a linha e negociamos coberturas que respondem quando o tempo extremo chega. Contacte-nos para uma análise gratuita e sem compromisso.