Para a maioria das famílias portuguesas, a casa é o ativo mais valioso que possuem. No entanto, muitos proprietários limitam-se ao seguro de incêndio obrigatório — exigido pelo condomínio ou pelo banco no crédito habitação — sem perceber que esta cobertura mínima deixa o seu património exposto a dezenas de riscos que acontecem com muito mais frequência do que um incêndio.
Neste artigo, explicamos o que o seguro multirriscos habitação realmente cobre, quais são os erros mais comuns e como garantir que a sua casa — e tudo o que está dentro dela — está verdadeiramente protegida.
Seguro de incêndio vs. multirriscos: a diferença que muitos desconhecem
O seguro de incêndio é obrigatório por lei para todas as frações autónomas em regime de propriedade horizontal (artigo 1429.º do Código Civil). No entanto, esta cobertura cobre apenas danos causados por incêndio, raio e explosão — e aplica-se unicamente à estrutura do edifício, não ao recheio.
O seguro multirriscos habitação é uma apólice bastante mais completa que pode incluir, além do incêndio obrigatório, uma vasta gama de coberturas adicionais:
- Danos por água — roturas de canalizações, infiltrações e inundações. É, de longe, a causa mais frequente de sinistros em habitação em Portugal.
- Fenómenos atmosféricos — tempestades, ventos fortes, granizo e queda de árvores. Com as alterações climáticas, estes eventos são cada vez mais frequentes e severos.
- Furto e roubo — proteção do recheio da habitação contra furto, tentativa de furto e vandalismo associado.
- Responsabilidade civil — danos causados a vizinhos ou terceiros (ex.: uma fuga de água na sua casa que danifica o apartamento de baixo).
- Quebra de vidros — janelas, espelhos, tampos de mesa e vidros de eletrodomésticos.
- Avaria de equipamentos elétricos — danos por sobretensão ou curto-circuito em eletrodomésticos e equipamentos eletrónicos.
- Assistência ao lar — serviço de canalizador, eletricista, serralheiro e vidraceiro em situações de emergência, 24 horas por dia.
"A maioria dos sinistros em habitação não são incêndios — são danos por água. E o seguro obrigatório não cobre um único centavo desses danos."
Os 5 erros mais comuns no seguro de habitação
Ao longo dos anos, identificámos erros que se repetem sistematicamente nas apólices de habitação dos nossos clientes:
- Confundir capital de reconstrução com valor de mercado — o valor segurado do edifício deve corresponder ao custo de reconstrução, não ao valor de compra ou de mercado do imóvel. Subvalorizar este capital significa receber menos em caso de sinistro (regra proporcional).
- Não segurar o recheio — mobília, eletrodomésticos, roupa, equipamentos eletrónicos — tudo o que está dentro de casa pode representar dezenas de milhares de euros. Muitas famílias não têm cobertura de recheio ou têm valores completamente desatualizados.
- Ignorar a regra proporcional — se o valor segurado representa apenas 50% do valor real dos bens, a seguradora pagará apenas 50% do prejuízo, mesmo que o sinistro seja inferior ao capital segurado. Esta é a surpresa mais desagradável para quem tem a apólice desatualizada.
- Não incluir responsabilidade civil — uma fuga de água ou um incêndio que afete vizinhos pode gerar responsabilidades de dezenas de milhares de euros. Sem esta cobertura, o proprietário paga do próprio bolso.
- Renovar sem rever — tal como nos seguros empresariais, a renovação automática sem revisão é o erro mais comum. Obras de remodelação, compra de equipamentos novos ou alterações na utilização do imóvel devem ser comunicadas à seguradora.
Proprietário, inquilino ou senhorio: coberturas diferentes
O tipo de seguro necessário varia conforme o perfil de ocupação do imóvel. Esta distinção é frequentemente ignorada:
- Proprietário-ocupante — precisa de cobrir tanto o edifício (estrutura) como o recheio (conteúdo). É a situação mais comum e a que exige a apólice mais completa.
- Inquilino — o seguro do edifício é normalmente responsabilidade do senhorio ou do condomínio. O inquilino deve, no entanto, segurar o seu recheio e a responsabilidade civil por danos que possa causar ao imóvel ou a vizinhos.
- Senhorio — deve garantir o seguro do edifício e considerar coberturas adicionais como perda de rendas em caso de sinistro que torne o imóvel inabitável, e responsabilidade civil do proprietário.
Quanto custa um seguro multirriscos habitação?
O custo de um seguro multirriscos habitação depende de vários fatores: localização, área, idade do imóvel, tipo de construção, coberturas escolhidas e valores segurados. Para um apartamento T2/T3 em zona urbana, os valores situam-se tipicamente entre €120 e €300 por ano — uma fração do que custaria reparar os danos de uma simples rotura de canalização.
A questão nunca é se compensa ter um multirriscos. A questão é se o multirriscos que tem é adequado à sua realidade.
"Um seguro multirriscos habitação completo custa menos de €1 por dia. Uma rotura de canalização que afete o vizinho de baixo pode custar €10.000."
O que verificar na sua apólice atual
Se já tem um seguro multirriscos, vale a pena confirmar os seguintes pontos com o seu mediador:
- O capital de reconstrução do edifício está atualizado?
- O valor do recheio reflete o que tem efetivamente em casa?
- Tem cobertura de danos por água (incluindo infiltrações)?
- A responsabilidade civil está incluída e com limite adequado?
- Tem assistência ao lar 24h para emergências?
- Fez obras de remodelação que não foram comunicadas?
Na Adler & Rochefort, analisamos gratuitamente a sua apólice de habitação e comparamos as condições com as melhores ofertas das nossas seguradoras parceiras. O objetivo é simples: garantir que a sua casa está protegida ao melhor preço possível.
A Adler & Rochefort é uma mediadora de seguros registada na ASF — Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões.