Uma pergunta quase sempre antecede a contratação de RC Profissional: quanto capital contratar? A resposta mais honesta é também a menos satisfatória — depende. Não porque ninguém saiba, mas porque o capital certo é uma função da sua atividade concreta, não um número de tabela.
O que se segue não é um valor. É o raciocínio que devia estar por trás desse valor.
O que determina o capital adequado
- Tipo de profissão. O prejuízo potencial de um erro de um consultor financeiro que gere carteiras de investimento é estruturalmente diferente do de um consultor de marketing.
- Prejuízo financeiro potencial. Não o prémio pago, nem os honorários cobrados — o que um erro poderia efetivamente custar ao cliente.
- Perfil dos clientes. Prestar serviços a grandes empresas ou a entidades públicas costuma implicar exposições — e exigências contratuais — maiores do que trabalhar com pequenos negócios locais.
- Dimensão dos contratos. O valor dos projetos que assume é o indicador mais direto da escala do risco que a apólice precisa de cobrir.
- Exigências contratuais. Muitos contratos, sobretudo com clientes institucionais, impõem um capital mínimo de RC como condição prévia.
- Exposição territorial. Prestar serviços fora de Portugal pode implicar sistemas legais com indemnizações mais elevadas.
- Custos de defesa jurídica. Em muitas apólices, os custos de defender uma reclamação — mesmo infundada — consomem o mesmo capital que paga a indemnização.
- Limite agregado vs. por sinistro. Um capital "adequado" para um único sinistro pode não chegar se a apólice reparte esse mesmo capital por todas as reclamações do ano.
- Sublimites. Algumas coberturas dentro da apólice têm capitais próprios, mais baixos do que o capital principal anunciado.
Antes de decidir, pergunte
- Qual é o maior prejuízo que um erro meu pode causar a um cliente?
- Os meus clientes, ou os contratos que assino, exigem um capital mínimo?
- O capital contratado é por sinistro ou agregado para o ano?
- Os custos de defesa jurídica consomem o mesmo capital que a indemnização?
- Existem sublimites que reduzem, na prática, a cobertura para certos riscos?
- Trabalho, ou vou trabalhar, para clientes fora de Portugal?
Não há uma fórmula que converta estas respostas num número exato — mas há uma diferença real entre contratar um capital ao acaso e contratar um capital que resulta de ter pensado nestas perguntas.
O erro mais comum: nunca rever o capital
O capital que fazia sentido quando a empresa começou raramente continua a fazer sentido cinco anos depois, com mais clientes, contratos maiores e uma faturação diferente. Rever o capital a cada renovação — não apenas confiar que "está bem, sempre esteve" — é a forma mais simples de evitar que a apólice fique desatualizada face ao negócio real. O mesmo raciocínio aplica-se, de resto, à atividade declarada na apólice.
Na Adler & Rochefort analisamos o capital de RC Profissional em função da atividade real de cada cliente — não de uma tabela genérica por profissão.
Continuar neste tema: O que acontece quando o seu consultor comete um erro de €500.000? · RC Profissional: as exclusões que deve verificar antes de contratar
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