Para quem comete fraudes, um family office é um alvo invulgarmente eficiente. Move muito dinheiro, muitas vezes entre países, por instrução de poucas pessoas que se conhecem bem e confiam nos emails e nas mensagens de voz umas das outras. Lida com advogados, bancos, gestores de iates, construtores e galeristas que faturam valores elevados. E os seus responsáveis são suficientemente visíveis para que nomes, viagens e hábitos se reconstituam a partir de fontes públicas.
Como acontecem as perdas
- Desvio de pagamentos. Um email que parece vir de um fornecedor, de um escritório de advogados ou de um construtor comunica novos dados bancários. A fatura seguinte é paga ao burlão.
- Fraude do “CEO”. Uma mensagem — cada vez mais uma voz clonada ou uma videochamada — de alguém que parece o principal da família pede uma transferência urgente e confidencial.
- Usurpação de contas. Um email ou um acesso bancário comprometido é usado para enviar instruções aparentemente autênticas.
- Infidelidade de trabalhadores. Um trabalhador ou prestador de confiança, com poderes de pagamento, desvia fundos ao longo do tempo.
- Ransomware e roubo de dados. Sistemas cifrados, ou informação privada da família roubada e usada para extorsão.
Que apólice responde a cada perda
Seguro de crime (infidelidade)
As apólices de crime cobrem a perda financeira direta de dinheiro, valores ou bens causada por infidelidade de trabalhadores, fraude de terceiros e, através de extensões próprias, engenharia social — uma transferência feita por um trabalhador enganado. A extensão de engenharia social tem normalmente um sublimite e condições, como a confirmação telefónica de qualquer alteração de dados bancários. É a cláusula que mais vale a pena ler, porque é a perda mais provável.
Seguro ciber
As apólices ciber cobrem os custos e as responsabilidades de um incidente informático: resposta ao incidente, investigação forense, recuperação de dados, interrupção de atividade, notificações e custos regulatórios ao abrigo do RGPD e responsabilidade perante terceiros. Muitas incluem a ciberextorsão. Algumas incluem um montante limitado para fraude em transferências; a maioria não cobre o próprio dinheiro desviado como o faz uma apólice de crime.
A família, não só o escritório
As fraudes visam também a família — as redes sociais de um filho, o email pessoal do principal, o telemóvel do cônjuge. Um seguro de ciber e fraude para a família responde a usurpação de identidade, fraude online e ciberbullying, e pode coexistir com as apólices do family office.
Portugal e Espanha
Os dois países aplicam o RGPD, com a CNPD em Portugal e a AEPD em Espanha como autoridades de controlo. Um family office que trata dados pessoais de familiares, trabalhadores e contrapartes tem deveres de notificação em caso de violação, e o custo de os cumprir é uma das partes mais úteis de uma apólice ciber. As fraudes devem ser sempre participadas à polícia — Polícia Judiciária em Portugal, Policía Nacional ou Guardia Civil em Espanha —, e as seguradoras exigem normalmente essa participação.
O que os subscritores analisam
- Dupla autorização para pagamentos acima de um limite e confirmação telefónica, para um número já conhecido, de qualquer alteração de IBAN.
- Autenticação multifator no email, na banca e nos acessos remotos.
- Separação de funções entre quem aprova, quem paga e quem reconcilia.
- Cópias de segurança separadas dos sistemas principais e um plano de resposta testado.
- Formação de familiares e trabalhadores para pedidos urgentes e falsas identidades.
Estes controlos contam duas vezes: reduzem a probabilidade de perda e muitas apólices fazem deles condição de cobertura.
Perguntas frequentes
O seguro ciber devolve o dinheiro pago a uma fatura falsa?
Normalmente não por inteiro. O dinheiro transferido é, em regra, uma perda do seguro de crime, ao abrigo de uma extensão de engenharia social ou de fraude em transferências. Algumas apólices ciber incluem um montante limitado; decide a redação.
O que é a cobertura de engenharia social?
Uma extensão da apólice de crime que cobre o dinheiro transferido por um trabalhador enganado por uma instrução fraudulenta. Tem normalmente um sublimite e exige procedimentos de verificação que o family office deve cumprir.
A família fica coberta, além do escritório?
O programa de crime e ciber do family office cobre o escritório. Os dispositivos, contas e identidades da família ficam melhor protegidos por um seguro de ciber e fraude familiar, coordenado com ele.
O RGPD aplica-se a um family office?
Sim, quando trata dados pessoais de familiares, trabalhadores e terceiros. Uma violação pode gerar deveres de notificação à CNPD ou à AEPD e às pessoas afetadas, e uma apólice ciber pode cobrir o custo de os cumprir.
Este artigo é informação geral e não constitui aconselhamento personalizado, jurídico ou fiscal. As coberturas, limites e exclusões são apenas os da apólice efetivamente emitida, após subscrição. Adler & Rochefort é uma marca comercial da Ownizo, Unipessoal Lda., agente de seguros registado na ASF com o n.º 425591790/3.
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